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07/06/2019 - Deus e o seu povo Romanos 9

 

Deus e o seu povo Digo a verdade em Cristo, não minto, e a minha consciência confirma isso por meio do Espírito Santo: sinto grande tristeza e tenho incessante dor no coração. Porque eu mesmo desejaria ser amaldiçoado, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas segundo a carne. São israelitas. A eles pertence a adoção, assim como a glória, as alianças, a promulgação da Lei, o culto e as promessas. Deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para sempre. Amém! 

E não pensemos que a palavra de Deus falhou. Porque nem todos os de Israel são, de fato, israelitas, nem por serem descendentes de Abraão são todos filhos. Pelo contrário: “Por meio de Isaque será chamada a sua descendência.” Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa é que são contados como descendência. Porque a palavra da promessa é esta: “Por esse tempo voltarei, e Sara terá um filho.” 

E isto não aconteceu somente com ela, mas também com Rebeca, ao conceber de um só, de Isaque, nosso pai. E os gêmeos ainda não eram nascidos, nem tinham feito o bem ou o mal — para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama —, quando foi dito a Rebeca: “O mais velho será servo do mais moço.” Como está escrito: 

 

“Amei Jacó,

porém desprezei Esaú.”

 

Que diremos, então? Que Deus é injusto? De modo nenhum! Pois ele diz a Moisés: 

 

“Terei misericórdia de quem

eu tiver misericórdia

e terei compaixão de quem

eu tiver compaixão.”

 

Assim, pois, isto não depende de quem quer ou de quem corre, mas de Deus, que tem misericórdia. Porque a Escritura diz a Faraó: “Foi para isto mesmo que eu o levantei, para mostrar em você o meu poder e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra.” Logo, Deus tem misericórdia de quem quer e também endurece a quem ele quer. 

Mas você vai me dizer: “Por que Deus ainda se queixa? Pois quem pode resistir à sua vontade?” Mas quem é você, caro amigo, para discutir com Deus? Será que o objeto pode perguntar a quem o fez: “Por que você me fez assim?” Será que o oleiro não tem direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro para desonra? 

Que diremos, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos de ira, preparados para a destruição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que de antemão preparou para glória? Estes vasos somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios, como também diz em Oseias: 

 

“Chamarei de ‘meu povo’

ao que não era meu povo;

e de ‘amada’ à que não era amada.

E no lugar em que lhes foi dito: 

‘Vocês não são o meu povo’,

ali mesmo serão chamados

‘filhos do Deus vivo’.”

 

Mas Isaías clama a respeito de Israel: 

 

“Ainda que o número

dos filhos de Israel

seja como a areia do mar,

o remanescente é que será salvo.

Porque o Senhor cumprirá 

a sua palavra sobre a terra,

de forma plena e em breve.”

 

Como Isaías já disse: 

 

“Se o Senhor dos Exércitos

não nos tivesse deixado

descendência,

nós nos teríamos tornado

como Sodoma

e semelhantes a Gomorra.”

 

Que diremos, então? Que os gentios, que não buscavam a justificação, vieram a alcançá-la, a saber, a justificação que decorre da fé, e que Israel, que buscava a lei de justiça, não chegou a atingir essa lei. Por quê? Porque não a buscou pela fé, mas como que por obras. Tropeçaram na pedra de tropeço, como está escrito: 

 

“Eis que ponho em Sião

uma pedra de tropeço

e rocha de ofensa,

e aquele que nela crê

não será envergonhado.”